sexta-feira, dezembro 16, 2011
domingo, setembro 19, 2010
Terço, o cordão da fé.
Terço, o cordão da fé.
Antes de eu entrar no ônibus, ela segurou minha mão e disse: - Leve o meu terço, com ele, não se sentirá sozinho. Quando estiver em tribulações se apegue a ele e reze como vovó ensinou, mas reze com fé que Nosso Senhor Jesus Cristo e nossa Santa mãezinha virão interceder por você. - Olhei para aquela imagem de Cristo crucificado, para a medalha de Nossa Senhora Aparecida, fechei a mão e agradeci. – Obrigado vovó! – Por mais que minha vózinha me forçasse a rezar o terço todos os dias com ela, eu não lembrava bulhufas de como se iniciava a reza de um terço. Todos os dias eu ajoelhava diante de umas imagens de barro, um monte de velas, e após minha avó, rezava o rosário, quer dizer, fingia que rezava. No primeiro dia ela me explicou com o terço a matemática das bolinhas, consegui reproduzir na hora, mas nos outros dias, me perdi quando meu olhar divagou entre as chamas das velas. Descobri que podia trapacear somente passando a mão nas bolinhas e mexendo os lábios, mas o ato de fingir que rezava o terço todos os dias me suscitaram idéias e assuntos que me levaram ao gosto pela filosofia. Por causa da filosofia que o terço, herança de família foi parar em minhas mãos. Para minha avó, filosofia tinha algo a ver com medicina. Tadinha! Foi na minha mudança para outro estado, com o intuito de estudar filosofia que minha avó o entregou. Iria me proteger dizia ela. Mal sabia ela, que para mim aquilo era apenas um cordão, embora não seja usado como.
Quando cheguei à cidade, pendurei o terço na cabeceira da cama no quarto do cortiço onde morava. Mais como uma lembrança da minha vózinha do que algum motivo religioso. Teve um dia que encontrei o cachorro da senhoria dentro do quarto, mastigando o raio do terço. – Maldito! – Tive que arrancar a força o terço da boca do sarnento. Salvei o terço, mas umas das primeiras bolinhas o pulguento arrancou e engoliu. Fiquei imaginando a cara de reprovação da minha avó quando visse o terço daquele jeito, para não ficar desfalcado coloquei uma bolinha parecida que tirei do meu chaveiro no lugar. Tudo bem, não era muito parecida! Era duas vezes maior que as outras, e era vermelha, enquanto todo o terço era transparente. Mas o que vale é a intenção. E Deus bem sabe disso. Tanto que uma vez o meu quarto foi invadido por uns elementos mais do que suspeitos, me escondi em baixo da cama. O meu medo foi tanto que me apeguei ao terço, e foi ai que entrou a providencia divina, só sei que de repente eu lembrei direitinho como se rezava o terço. O sinal da Santa Cruz, o Credo, um Pai-Nosso, após três Ave-Marias, um Glória-ao-Pai e a Jaculatória, os mistérios, em cada mistério, rezam-se um Pai-Nosso, 10 Ave-Marias, 1 Glória-ao-Pai e a Jaculatória, o quinto e último mistério após a Jaculatória, uma Salve-Rainha, o Sinal da Cruz e o Terço está encerrado. Quando abri os olhos já não tinha ninguém no quarto. Sorte ou não, resolvi andar com o terço dentro da carteira para onde quer que fosse. Já estava questionando a filosofia e sobre a real existência de Deus. Teria um simples terço o poder interlocutor com Deus? Até que um dia, a teoria foi quebrada por uma rápida prática de um pivete que levou a minha carteira junto com o terço. Daí, voltei a origens das minhas idéias. Ufa! A minha vida passou muito bem sem a presença daquele terço. Terminei meus estudos. Me formei. O tempo foi passando, vóvó sempre cobrando visita, mas o medo de contar a perda do terço foi sempre adiando minha viagem. Como poderia dizer que o terço, herança de família foi mordido por um cachorro e levado por um trombadinha? Era decepção na certa! Mas como a saudade da minha vózinha era grande, comprei um terço parecido para ludibriá-la. Afinal, ela enxergava mal. Mesmo assim estava com receio.
E a viagem não pode mesmo ser adiada, me ligaram da minha cidade, dizendo que vovó faleceu. Minha vozinha... morreu! Era a única família que eu tinha. Parti para minha terra, e ao chegar no velório, não consegui controlar a emoção de ver minha vozinha querida, morta naquele caixão. Sua face sem cor, aquelas flores, porém, o que mais me chocou, foi ver que entre as mãos cruzadas de vovó estava o terço, herança de família. E não, não era outro parecido, como o que eu tinha comprado, era terço mordido pelo cachorro e com o primeiro pai-nosso substituído por uma bolinha vermelha. Ela parecia me oferecer o terço novamente. Pensei até ouvir sua voz. - Tome mais cuidado de agora em diante. – Peguei o terço de suas mãos e coloquei o falso no lugar. E deste dia então passei a entender aquela famosa frase que sempre ecoava na minha cabeça, “há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.”
Wanderson Rosceno
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
terça-feira, agosto 12, 2008
O trabalho da formiga
Ponto.
Ponto.
Ponto.
(Um simples ponto.)
Vocês já pararam pra pensar no poder que o ponto tem? O ponto é o fim! E quando se dá um ponto final, é necessário recomeçar, então recomeça-se todo a aventura ou o martírio. Olha aí, estão vendo? É o ponto! O ponto me põe em situação de vácuo. Divagação... (Esse ponto é seguido de mais dois!)
Divagar: 1- Andar sem rumo certo; vaguear.
2- sair do assunto de que se tratava.
3- Fantasiar, devanear.
Realmente, eu ando sem rumo certo, item 1, mas quem não anda? Isto talvez se deva a necessidade de minhas mãos tentarem acompanhar meus pensamentos, e coitadinhas, se atrapalham e anotam somente aquilo que lhe é possível, no seu tempo. São as dificuldades do tempo real, entendam! Tentarei manter o prumo e voltarei às reações químicas que mencionei no início da prosa que são importantes ao tal ato de escrever, deve ser algo que comi que está em transformação e me deixando com indigestão! Ai, como é difícil
Pausa para o café!
O TEXTO NÃO ESTÁ CONCLUÍDO!!!
quinta-feira, agosto 07, 2008
sexta-feira, maio 02, 2008
SACI - Sociedade dos Amigos da Cultura de Itaboraí
sexta-feira, março 28, 2008
Programa de rádio - Os Trakinas

Os Trakinas foi um convite feito pelo radialista e produtor cultural Edson Saraiva após assistir o espetáculo "Faz-me rir!" (esquetes de humor). A ideia dele era levar nosso grupo para sua rádio (Cultura FM 91,5) para fazer um programa irreverente. A princípio eu, Sérgio Santal e Tiago Atzevedo não demos atenção devido a sobrecarga do espetáculo, quando as viagens foram diminuindo resolvemos arriscar nessa área radiofônica, hoje é um dos programas mais ouvidos da cidade de Itaboraí. Estamos aprendendo muito e se divertindo, é claro! É muito bom para atores ter um megafone nas mãos e poder falar aquilo que pensa. O programa é voltado para cultura, com muita Musica Popular Brasileira, crônicas, poesias, entrevistas e críticas.
Não deixe de ouvir! Todo Sábado de 11h às 13h.
segunda-feira, março 17, 2008
O Mequetrefe (Parte 1)
Criado em 2005
Texto e direção: Gabriella Slovick
Dramaturgia : Wanderson Rosceno
Caraca como eu tava magro nessa época! E como eu era ruim! hehehehe
domingo, março 16, 2008
Um tal homem - Curta-metragem (Parte 1)
Roteiro:Gabriella Slovick
Elenco : Wanderson Rosceno
Bianca Barboza
Andréia Bernadete
Monike Diniz
Reze! Ele está em toda parte e adora cemitérios!Quem é este homem? Tudo não passou de uma armação sórdida para matar?
sábado, março 15, 2008
sexta-feira, março 14, 2008
Frases Enfáticas
Eu queria afagar os seus cabelos e me afogar no seu pescoço;
Eu queria só tocar meus lábios nos seus e ver a sua reação
Eu queria chegar a seus ouvidos, sussurrar juras, dizer lamúrias, abrir meu coração...
Eu queria que você não fosse uma miragem
Eu queria você
Eu queria de ter
Eu queria ter coragem...
Eu queria ter coragem pra dizer...
O quanto EU gosto de ti
Sem saber se TU gostas de mim
Sem saber se há um ELE no meio
Um outro entre NÓS
Ou então VÓS não quereis
Amar como ELES amam
Querer como eu te quero
Ah! Queria EU!
Eu – pronome pessoal do caso reto
Como eu QUERIA!
Queria – verbo querer no imperfeito pretérito
Mas, EU quero agora no presente!
Como queres TU, ELE, NÓS, VÓS, ELES...
E assim eu vou sofrendo, assim tenho sofrido...
No gerúndio vou querendo, no particípio tenho querido!
Wanderson Rosceno
quarta-feira, março 12, 2008
Poemas que escolhi! - Aos prantos
Poemas que escolhi! - Um tom abaixo, por favor!
Poemas que escolhi! - Vento em papel vermelho...
Poemas que escolhi! - Filha
segunda-feira, março 10, 2008
Poemas que escolhi! - Para o céu
Carta à Frida Khalo
Querida Frida,
Gostaria que todos entendessem o que eu sinto.
Sinto uma vontade de gritar! Entende?
Fazer com que todos esses sentimentos sejam expelidos de dentro de mim.
Não aguento mais!
Não sei como cheguei a esse estágio.
Amo.
Amo sim, claro!
Amo, só não sei se me amam, se algum dia alguém o fará.
Amo e não sei me entenderiam,
Pois estou muito além do raciocínio dessa humanidade presa.
Acham que sou errado por pensar diferente.
Todos! Será?
Será que existe alguém que pense como eu? Conto e confio em você!
Ou estaria eu radicalizando?
Não me encaixo nesse fila certinha, onde quem se entorta está fora!
E nem mesmo nessa fila torta que acha que certo mesmo, é se espalhar.
Eu quero poder caminhar, caminhar por tudo! Como você fez!
Gostaria de ser uma partícula do que você foi.
Queria morrer assim... e me imortalizar!
Eu vim para conhecer! Diga-me se estou tão errado assim?
Eu só quero tudo e todos, eu quero errar!
Me deixem conhecer!
Qual o problema se eu comer todas as maçãs?
Por favor, me aguarde... Junto de Virgínia e Fernando, convide todos!
Foi um prazer!
O refiz para lhe oferecer.
Pensei em um dos seus quadros.
Grato!
Hasta!
Sem mais para o momento.
Se enfiou nos meus sonhos
Interrompeu meus pensamentos
Manda meu coração
Alegrou os meus dias
Aqueceu minha alma
Acalmou minhas angustias
E nada mais
Mentira! E muito mais
Mas...
Sem mais para o momento.
Wanderson Rosceno


